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Quarta-feira, Abril 19, 2006
postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 12:09 AM Terça-feira, Agosto 12, 2003 O dia em que fiz o louquinho chorar É impressionante a quantidade de figuras maluquinhas que as cidades do interior concentram. Dos dois lugares que morei, a quantidade de loucos de praça era suficiente para ter história pra contar: Renato Jacaré, Corinthiano, o Tarado da Cônego, Maria Louca, Zé do Cobertor, o Drogado etc.. E eu, pobre eu, acho que exalo um cheiro que atrai a todos eles, causando situações chatas e me fazendo passar por "Dóris dos mentalmente desajustados". Como neste dia: Fim de domingo, eu ia embora de Tatuí com a cabeça cheia de ressaca, querendo chegar em São Paulo antes de anoitecer. Nas mãos, uma revistinha de palavras cruzadas, nos ouvidos, começava a encaixar meus foninhos de walkman¿ - Ô dona! Olhei pro lado assustada. Era um mocinho, meio caipira, sem alguns dentes e olhar perturbado. - Oi... - Oooocê vai pra São Paulo? Eu queria tanto ir pra lá, mas minha mãe fala que eu vou me perder. - Vou sim. É bem grande lá, sabia? ¿ eu estava pacienciosa nesse dia, mas só um pouco. - Óia. Sabia que eu perdi esse dente numa briga? Meu pai bate em mim. - O mocinho estava começando a falar coisas a mais. Se a mãe dele estivesse perto, com certeza lhe daria um safanão e disfarçaria. Mas, como ele estava sozinho, desembestou a falar. ¿ As pessoa me martrata lá onde eu moro, sabe? Meus irmão fala tudo que eu sô bixa e senta pialo na minha orêia. E meu avô¿ Dei um sorrisinho de "ok, já ouvi o bastante, sim?" e terminei de colocar os fones no ouvido. Imaginei que ele iria se tocar e me deixar em paz. Eu realmente não queria saber das barbaridades que faziam com ele, tampouco chegar no âmbito das calças abaixadas. Firmei a vista no horizonte e vez ou outra cantava alto para deixar bem claro que o assunto estava encerrado. Depois de uns cinco minutos em silêncio, diminuí o volume do rádio e ouvi um resmunguinho do meu lado. "Pfff, esse cara já deve estar me contando de quando foi empalado". Foi então que eu ouvi o motivo do lamento: - Ninguém conversa comigo, sempre me tratam mal. ¿ chorava o pobrezinho. Meu coração virou geleca. Olha só o que eu tinha feito com o coitado do louquinho que só quis desabafar comigo. Ele limpava as lágrimas e eu não tinha coragem de sair da minha posição de disfarce. Esperei que ele saísse, e enquanto isso me puni de todas as formas. "Imbecil, egoísta, não custava ser boazinha?". Desde então, tenho praticado o torturante de ouvir desconhecidos e suas mazelas no ônibus, mercadinho, elevador. Vale o esforço, pelo menos eu não por "menina má". postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 3:57 PM Terça-feira, Maio 13, 2003 muleta.doc postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 5:03 PM inutilidades.doc postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 5:03 PM avenger.doc postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 5:02 PM Segunda-feira, Abril 14, 2003 curioso.doc postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 1:38 PM Sexta-feira, Março 28, 2003 Bia Capiau.doc postado por: ANA BEATRIZ BONDUKI 5:46 PM |
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